CURIOSIDADES

Os 7 experimentos mais bizarros feitos pelo exército americano

As forças armadas americanas têm sido, há muito tempo, pioneiras em pesquisas e desenvolvimento de tecnologias nos campos de batalha, mas isso não significa que todos os experimentos tenham sido um sucesso. Muitas ideias que pareciam geniais foram destruídas por mau planejamento ou timing errado, enquanto outras eram simplesmente bizarras demais para serem levadas a sério. De camelos do velho oeste a trens que carregavam armas atômicas, conheça as histórias de sete projetos das Forças Armadas que não foram executados conforme o planejado.


1) As Tropas de Camelos Americanas

Os cavalos eram a principal forma de transporte do exército no século XIX, mas as coisas podiam ter sido diferentes se as tropas de camelo americanas não tivessem fracassado. Esse experimento improvável começou em 1856, depois que o secretário de guerra, Jefferson Davis, importou um rebanho de 12 camelos do norte da África e da Turquia. Davis acreditava que os “navios do deserto” iriam surgir aos borbotões no clima árido dos territórios recém-adquiridos da América, no sudoeste, e testes iniciais de abastecimento davam suporte à sua ideia.

Os camelos poderiam ficar dias sem água, carregar muito peso com facilidade e transitar por terrenos inóspitos melhor que mulas e cavalos. Um examinador desconfiado, inclusive, os chamou de “feras nobres e úteis” depois de eles causarem uma boa impressão em uma expedição à fronteira do Arizona com a Califórnia. Mas, mesmo que a resistência dos camelos nunca tenha sido colocada em dúvida, a Guerra de Secessão pôs um fim à sua passagem pelas Forças Armadas. A alta patente do exército perdeu o interesse nas novas tropas durante a marcha para a guerra, e elas foram finalmente abandonados após a Confederação – ironicamente, com David na presidência – estabelecer sua base em Camp Verde, no Texas. A maioria dos camelos restantes foi, posteriormente, leiloada para circos e pessoas. Outros foram soltos, e seus descendentes ainda podiam ser vistos na natureza selvagem até os anos 40.

Imagem: Gwinn Heap [Domínio Público], via Wikimedia Commons


2) Projeto Iceworm

Em 1958, o exército americano lançou um dos experimentos mais audaciosos da Guerra Fria. Como parte de um projeto ultrassecreto chamado “Iceworm”, foi elaborado um plano para esconder centenas de mísseis balísticos sob as calotas de gelo da Groenlândia. Uma vez escondidas sob as neves do Ártico, as armas seriam preparadas para ataques nucleares em potencial ao território soviético. Para testar seus projetos, o exército construiu o Camp Century, uma base de gelo de teste construída sob o pretexto de ser um centro de pesquisa científica.

O posto avançado de alastramento consistia em 24 túneis subterrâneos escavados no gelo cobertos por uma grossa camada de aço e gelo. Ele possuía alojamentos para mais de 200 pessoas e tinha seus próprios laboratórios, hospital e teatro – tudo isso alimentado por um reator nuclear portátil de ponta. O Camp Century pode ter sido uma maravilha tecnológica, mas não era páreo para a mãe natureza. Após alguns anos, as mudanças nas calotas polares fizeram com que muitos túneis se deformassem e ficassem estruturalmente instáveis. Convencido de que a Groelândia não era o lugar ideal para armas nucleares, o exército, de forma relutante, abandonou o projeto em 1966.

Imagem: Domínio Público via Wikipedia

3) A FP-45 Liberator

Pouco depois de os Estados Unidos entrarem na Segunda Guerra Mundial, o seu comitê de operações psicológicas de guerra começou a procurar uma maneira de armar os combatentes da resistência em países ocupados pelo Eixo. O resultado foi a FP-45, uma pequena pistola de calibre .45, de um único tiro, que poderia ser fabricada de forma barata e jogada pelo ar em território inimigo. A teoria era que os combatentes da resistência usassem essas pistolas rudes para assassinar as tropas inimigas e, depois, tomar suas armas. As pistolas teriam também um efeito psicológico, já que a ideia de cada cidadão poder estar armado com uma “Liberador” causaria medo nos soldados ocupantes.

Os EUA produziram 1 milhão de FP-45s entre junho e agosto de 1942, mas as pistolas não conseguiu chegar nem ao campo de batalha. Comandantes aliados e oficiais de inteligência a consideraram impraticável, e os combatentes da resistência europeia preferiam a “Sten” – uma metralhadora fabricada pelos britânicos. Embora 100 mil FP-45s tenham seguido seu caminho para o Pacific Theater, não existem documentos que afirmem em que proporção elas foram usadas e se eram eficazes. As FP-45 restantes se tornaram, desde então, um item de colecionador e modelos de trabalho vendidas, ocasionalmente, de 2 mil dólares para cima.


Imagem: "FP-45 Liberator" por Rama / CC BY-SA 2.0 fr via Commons.


4) Projeto Pigeon

Durante a Segunda Guerra Mundial, o psicólogo B.F. Skinner recebeu financiamento militar para uma arma aparentemente bizarra: um míssil guiado por um pombo. O famoso behaviorista teve a ideia para o seu “Bird’s-Eye Bomb” enquanto assistia a uma revoada de pombos. “De repente, eu os vi como ‘dispositivos’ com excelente visão e capacidade de manobra extraordinária”, escreveu Skinner. O projeto que se seguiu foi tão brilhante quanto estranho. Depois de usar condicionamentos para treinar os pombos a bicar imagens pré-selecionadas – como a de um navio de guerra inimigo, por exemplo –, Skinner colocou os pássaros dentro de um míssil especialmente projetado.

Esta pequena cabine continha uma tela de plástico que projetava uma imagem da trajetória de voo da arma. Ao bicar a tela, os pombos poderiam mudar as coordenadas do míssil e efetivamente “conduzi-las” em direção ao seu alvo. Infelizmente, para Skinner, os militares se recusaram a financiar uma ideia tão estranha como essa. Convencido de que os pombos nunca atuariam no campo de batalha, ele desistiu do projeto em outubro de 1944.


Imagem: Tippler [Domínio Público], via Wikimedia Commons

5) Porta-aviões Voadores

Porta-aviões transportados por vias aéreas podem parecer coisa de ficção científica, mas a Marinha dos EUA de fato fez experimentos com algumas “naves-mães” dirigíveis nos anos que antecederam a Segunda Guerra Mundial. O U.S.S. Akron e o U.S.S. Macon eram ambos dirigíveis rígidos – mais leves que aqueles que utilizavam hélio para flutuar pelos céus. Diferentemente da maioria dos dirigíveis, esses monstros de 250 metros de comprimento sustentavam hangares embutidos, que os permitiam lançar, recuperar e armazenar até cinco biplanos Curtiss Sparrowhawk durante um voo. Os aviões eram lançados de uma abertura em forma de T no fundo do casco e podiam ser recapturados no ar através de uma alavanca em forma de trapézio e de um gancho preso em suas asas.

A marinha tinha grandes expectativas com relação ao Akron e ao Macon para reconhecimento, mas ambos acabaram caindo. O Akron caiu por causa de ventos fortes nas proximidades do litoral de Nova Jersey em abril de 1933, e o ​​Macon foi vítima de uma tempestade perto da Califórnia, em fevereiro de 1935. Com a morte de 75 tripulantes, a Marinha abandonou seu programa de porta-aviões voadores e passou a usar dirigíveis não rígidos.


Imagem: USN [Domínio Público], via Wikimedia Commons

6) Os Experimentos com Drogas de Edgewood Arsenal

A paranoia da Guerra Fria inspirou os militares a arriscarem alguns experimentos altamente duvidosos, mas poucos se comparam aos mais de 20 anos de testes com drogas ilícitas. Começando nos anos 50, o Edgewood Arsenal de Maryland foi a base de um programa secreto de pesquisa do exército em cima de drogas psicoativas e outros agentes químicos. Mais de 5 mil soldados serviram de cobaias para o projeto, que tinha como objetivo identificar os agentes incapacitantes não letais para uso em combate e interrogatórios. A soldados desavisados do exército foram dadas substâncias como maconha, fenilciclidina, mescalina, LSD, e uma substância química causadora de delírios chamada BZ.

Alguns recebiam até dosagens de agentes nervosos potencialmente letais como o sarin e o VX. Embora os testes tenham produzido dezenas de relatórios sobre os efeitos das substâncias, não foi descoberta nenhuma droga milagrosa dos soldados, e essas não trouxeram nenhum avanço. Muitas das cobaias, por sua vez, ficaram com traumas psicológicos e problemas de saúde crônicos. Após uma indignação pública e uma audiência no Congresso, os experimentos com drogas foram encerrados em 1975.


Imagem: baitong333/Shutterstock.com


7) O Pacificador Rail Garrison

No final dos anos 80, oficiais militares estavam preocupados que silos de mísseis estacionários dos EUA fossem alvos fáceis no caso de uma guerra com os soviéticos. É aí que entra o Pacificador Rail Garrison, um arsenal nuclear móvel composto por 50 mísseis MX mantidos em comboios especialmente projetados da Força Aérea. O plano era deixar os comboios boa parte do tempo armazenados em edifícios reforçados por todo o país, mas, em períodos de alerta máximo, eles poderiam ser espalhados por 200 quilômetros de trilhos de estrada de ferro comercial para frustrar as tentativas soviéticas de destruí-los.

Cada um dos 25 trens tinha dois vagões que abrigavam mísseis nucleares. Ao abrir o teto do veículo e elevar uma plataforma de lançamento especial, eles poderiam, até mesmo, disparar suas armas em movimento. O presidente Ronald Reagan aprovou planos para o Pacificador Rail Garrison em 1986 em meio a críticas de que era desnecessário e excessivamente caro. O projeto foi cortado cinco anos mais tarde, quando o fim da Guerra Fria reduziu a necessidade de defesa nuclear. Um dos protótipos de vagões está, atualmente, em exibição no Museu Nacional da Força Aérea dos EUA em Dayton, Ohio.


Imagem: San Diego Air & Space Museum

Você sabia?

Durante a Segunda Guerra Mundial, as forças armadas gastaram 2 milhões de dólares desenvolvendo um programa para amarrar pequenas bombas incendiárias em morcegos. A teoria era que os morcegos poderiam ser liberados em cidades japonesas para se alojarem em edifícios e iniciar fogos, mas, de forma frustrante, os animais se mostraram muito difíceis de lidar. O projeto foi cancelado em 1944, porém não antes que alguns poucos morcegos “armados” incendiassem, acidentalmente, um quartel.

Imagem destaque: "Ranger MOUT exercise" por Trish Harris / Domínio Público via Commons.